São João do Oeste / Agricultura / 28/06/2017 - 22:27
Criação de perus garante renda extra
Aves são sensíveis a doenças, mas cuidados favorecem produção da carne considerada nobre
“Meu sonho é trabalhar só com isso algum dia, mas precisamos ser realistas”, avalia Petry

Ave originária do México é criada por poucos produtores na região, mesmo para consumo próprio. Um dos motivos é a dificuldade de manejo em função do número de doenças que atacam o animal, ainda filhote.

O casal Lauri José, 40 anos, e Rejane Petry, 37, de La. Ervalzinho, encarou o desafio e começou a criar perus há dois anos, com oito fêmeas e dois machos.

O objetivo era produzir apenas para o próprio consumo, porém a procura da carne fez a família encontrar no peru uma fonte de renda extra. “O pessoal insiste tanto que começamos a vender”, enfatiza Lauri. A ave é vendida viva, com peso entre 12 a 16 quilos e tem a vantagem de que 85% deste peso pode ser consumido.

No primeiro ano o casal chegou a criar 72 perus e vendia entre a fase pré-adulta e engorda. Lauri explica que a média do custo de trato das aves, quando adultas, é de R$ 150,00 para machos e R$ 100,00 para fêmeas e estes fatores definem os preços.

A família Petry já tinha quatro casais de perus há cerca de 20 anos, os quais morreram. A partir do recomeço da criação, Lauri adotou cuidados especiais, com orientações de especialistas do Globo Rural, por telefone.

TRATO E CUIDADOS COM DOENÇAS

Segundo Lauri, o peru pode sofrer 16 tipos de doenças quando filhote. A mais preocupante é a bouba aviária – um vírus disseminado por mosquitos – que todos os animais da espécie sofrem em determinado estágio da vida. “É um tipo de catapora, mais comum quando ele é filhote. Nesse caso é necessário fazer incubação durante 14 dias e se animal vencer esse período, ele sobrevive. A bouba também pode aparecer quando o peru estiver adulto, mas então ele geralmente morre”, detalha.

Para fortalecer o animal, o produtor trata remédio preventivo desde a nascença. Assim que a doença aparece, aplica remédio curativo. Lauri reitera que o peru reage de forma diferente para cada doença. “Bronquite e diarreia são problemas frequentes no início e para perceber tem que observar em silêncio no quintal, quando não é a hora do trato. A posição como deixam a cabeça ou a forma como se movimentam pode indicar alguma doença, então precisa ter sensibilidade”, esclarece.

O produtor complementa os remédios com trato de produtos naturais, como papa de ovo, cebolinha, radite e couve-flor. “Não se trata apenas água e ração no início do crescimento. 70% do que o peru consome é verde, inclusive se alimentam de grama”, enfatiza.

Lauri ainda mantém outros cuidados, como a limpeza do pote de água nos três períodos do dia e troca da ração, que também precisa ser diária. “Também uso desinfetante para as instalações, contra bactérias e fungos”, acrescenta.

Quando a perua choca – em média 14 a 15 ovos – é necessário mais um cuidado especial, conforme Petry: “Ela não deixa o ninho, de jeito nenhum. Então você precisa levar a ração ao lado do ninho dela, senão a perua pode morrer de fome”, exalta.

EXPECTATIVA É CHEGAR A 180 FILHOTES NESTE ANO

Petry criava e vendia cabritos, ovelhas, cisnes e coelhos antes de investir em perus. Como trabalha de diarista durante o dia, aqueles animais geravam serviço além do que conseguia executar, e desistiu. “Ovelhas e cabritos precisam de muito pasto e não temos grande área para a produção, além de se tornar caro. Depois que crescem, os perus são mais resistentes e o trato é mais fácil”, compara.

O produtor dispõe de 40 fêmeas para reprodução e projeta chegar a 180 filhotes ainda neste ano. Até agora carnearam 11 animais para o próprio consumo e obtém renda adicional com as vendas. Lauri avalia que para trabalhar apenas com a criação, seria necessário ter pelo menos 200 perus, capital de giro, investir em tecnologia, assistência técnica e de venda, além de adquirir produtos do exterior.

A família construiu curral para criar os perus, pois eles se afastam muito do lugar onde dormem e chegam a ir às propriedades vizinhas. Ao lado da construção, colocou postes recentemente, com objetivo de prender tela para cobrir a área e evitar que as aves escapem. No mesmo local também quer plantar pasto para tratar os perus.

Para trabalhar em escala comercial, Petry aponta que precisaria investir em novo galpão. Ele enaltece que a equipe da Globo Ecologia virá à propriedade ao final do ano ou começo de 2018 para prestar assistência e verificar a possibilidade de um empreendimento maior na atividade. Com isso o próprio produtor poderá definir o investimento. “O custo seria bem alto, mas por outro lado compensaria, porque é uma carne nobre e bem procurada. Meu sonho é trabalhar só com isso algum dia, mas precisamos ser realistas”, avalia.

Fonte: Adilson Kipper

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