02/08/2017 - 15:14
Desenvolvimento da grande Porto Novo

Em 1962 foi criada em Itapiranga a Comissão Municipal de Desenvolvimento Econômico (Comude). Quem estudou e fez o projeto de toda a situação econômica e também traçou um diagnóstico foi uma empresa de São Paulo, chamada Agrotécnica. Foi um estudo de alto custo e para tal até se obteve ajuda considerável da Alemanha, através do Misereor, uma entidade dirigida pelos bispos daquele país, que ajudavam países mais pobres que querem progredir e crescer. Em parte o jornal Força d’Oeste falou em edição recente sobre estas ajudas a Itapiranga.

O que chama atenção, ainda hoje, é a preocupação de lideranças de vários municípios da região em colaborar e motivar para que esta região continue crescendo e achando o rumo certo, pois nossos governantes municipais sabem e conhecem o povo trabalhador que aqui mora. Ainda enfrentamos obstáculos difíceis a serem superados: cito as distâncias em se levar o nosso produto até os grandes mercados consumidores nacionais e internacionais.

Para vender a outros países temos que levar a carne de frango e de suíno até o porto de Itajaí e além da distância e rodovias precárias, principalmente no grande Oeste – um produtor em potencial –, infelizmente os governantes em nível estadual e federal quase nos esqueceram. Vale hoje a pergunta: onde está a estrada de ferro norte – sul para trazer o milho do Mato Grosso? Pois nossa região não produz o necessário. E ainda, a estrada de ferro oeste – leste para levar as cargas até os portos marítimos para exportação?

Como o estudo da Comude apontou a agropecuária o nosso grande poderio ainda na década de 1960 em diante, tudo convergiu para dar enfoque governamental e melhorar várias questões na grande Itapiranga. Vários governadores de Santa Catarina olharam e ajudaram: daria destaque a Antônio Konder Reis, Jorge Konder Bornhausen e Vilson Pedro Kleinubing, pois no período deles veio a energia elétrica, o telefone DDD, o asfalto de Itapiranga a Iporã do Oeste e depois o governo Espiridião Amin até São Miguel do Oeste, na BR 282.

Conseguiram-se vários convênios para construção e melhorias de estradas municipais, construção de pontes de concreto no interior da grande Itapiranga. Facilitaram o transporte no interior para levar rações, concentrados, leitões aos integrados na suinocultura e também melhorou para a avicultura e bovinocultura de leite.

Nesse projeto nasceu o colégio agrícola de Sede Capela e quem teve grandes méritos foram os padres jesuítas, através do falecido padre Oscar Puhl. O colégio agrícola teve como finalidade a construção de escola para treinar nossos futuros agricultores, com mais conhecimentos no plantio e na produção de suínos, aves e leite, principalmente. Além do colégio agrícola, também se teve a finalidade de desenvolver o projeto Safrita e Frigoaves em Itapiranga, além do laticínio em São João.

As entidades Cidasc, Acaresc – hoje Epagri – vestiram a camisa e desenvolveu-se na região um projeto chamado clubes 4S, que envolveram a juventude rural de ambos os sexos e que fizeram belos trabalhos. Lembro de meu tempo de prefeito em Itapiranga, quando se teve mais de mil jovens participando intensamente. Em tudo havia participação do sindicato, Sicoob, clero e evidentemente o empenho dos técnicos e produtores em geral. Por isso hoje temos uma agropecuária bem desenvolvida.

Falei em corpo técnico e neste item quero fazer referência ao médico veterinário Domicílio Stefanello, que foi contratado em 1977, quando tive a honra de ser prefeito em Itapiranga, portanto Domicílio tem 40 anos de ação e participação no sucesso de nossa agropecuária. Em 1987, quando assumi a gerência do laticínio São João, tive nele um grande parceiro e fizemos juntos três roteiros em 1987, 1988 e 1989, na grande região produtora de Itapiranga, São João do Oeste, Tunápolis e parte de Mondaí.

No primeiro roteiro o Domicílio falava da parte técnica de como fazer para produzir um bom leite, que fosse bom para o consumo direto e ainda para fazer uma nata de qualidade e diversos tipos de queijos. No segundo ano de reuniões no interior eu falei da importância econômica e o Domicílio já tinha uma porção de slides onde mostrava o que pode ser feito e o que não se pode fazer no setor de produção de leite. Já no terceiro ano tivemos a colaboração do Foto Studio Marino e eles tinham elaborado um pequeno filme sobre o assunto, sempre destacando o que pode e o que não pode ser feito na atividade.

Além das reuniões, Domicílio atendia chamados dos produtores para fazer visitas às propriedades leiteiras. Alguns produtores tinham dificuldade em dizer Dr. Domicílio e diziam Dr. “Estomazílio”. Hoje ele ainda trabalha e agradeço por tudo que colaborou com a nossa agropecuária.

Em 1994, quando era o primeiro prefeito de São João do Oeste, mais uma vez por concurso público contratamos o médico veterinário Élio Ravazzi, ainda hoje grande parceiro na melhoria da nossa bacia leiteira. Lembro ainda de que no meu tempo ele foi fazer estágio na França para trazer nova tecnologia à nossa região. Aos dois o meu agradecimento e congratulações especiais também para a empresa Lac Lélo, que acreditaram e apostaram na nossa querida região.


Autor(a): Ottmar Schneiders



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