18/08/2016 - 14:43
Qualidade de Vida e Bem-estar

Normose: A doença de ser “normal”.

Muitas pessoas sofrem pela preocupação excessiva em ser ou parecer “normais”. Para estas, “normal” significa, ser, sentir, viver, fazer, etc. de forma parecida com amigos, conhecidos ou demais pessoas de sua admiração. Antes de mais nada precisamos nos perguntar: o que é ser normal? De forma simplória ser normal é apresentar um conjunto de hábitos considerados aceitáveis pelo consenso social, mesmo que estes hábitos não trazem alegria e contentamento e após algum período podem até ser considerados doentios e absurdos. Não podemos esquecer que já foi “normal” pessoas se digladiarem até a morte para entreter a multidão. Já foi “normal” beber, fumar, bater na esposa e filhos como forma de demonstrar poder e masculinidade. Também já foi “normal” queimar mulheres na fogueira e fazer pessoas trabalharem sem remuneração com castigos físicos só pela cor da pele. Já foi “normal” considerar que as mulheres não tinham inteligência suficiente para votar ou participar ativamente das decisões da sociedade. Ainda temos muitas coisas consideradas “normais” que na verdade são doentias e de profundo desrespeito a condição humana e que levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida. Diante disto devemos nos perguntar: Será que ser normal - e achar normais coisas que não deveriam ser - pode ser uma doença? Segundo alguns psicólogos, sim. O conceito de Normose foi criando pelos psicólogos Roberto Crema, Jean-Ives Leloup e Pierre Weil, que trouxeram esta ideia no livro Normose: A patologia da normalidade. Para eles sair deste modelo normótico não é uma tarefa fácil e poucos tem a coragem e ousadia de viver isto, e as vezes acabam sendo considerados desajustados por não obedecer ao estado "normal" das coisas. Segundo eles a maioria de nós se adapta a um ambiente social doente. Para a filósofa Dulce Magalhães, que escreve sobre mudanças de paradigmas, o normótico acredita que sucesso profissional, geração de renda e falta de tempo para si ou para a família são indissociáveis. "As pessoas consideram que trabalhar muitas horas, colocar em risco sua saúde e suas relações é normal", diz ela. "Mas isso tem um custo pessoal e social alto demais, que acabam levando a problemas de saúde, desajustes na família, sociedade e violência, por exemplo”. Segundo Crema, o normótico sofre pela falta de empenho em fazer florescer seus dons e enterra seus talentos por medo. Quando temos necessidade de, a todo custo, ser como os outros, não escutamos nossa própria vocação. A cura para a normose está em constantemente nos perguntar o que verdadeiramente nos faz feliz, o que traz bem-estar e contentamento tanto no campo pessoal como profissional. Esta resposta é individual. Bons processos terapêuticos podem apoiar, mas a resposta é sempre pessoal e intransferível. A pergunta que deve ser feita ao longo de toda vida: O que é importante para você? O que faz sentido para sua vida? O que te faz feliz?


Autor(a): Valicir Melchiors Trebien



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